quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Moda - Hoje, amanhã e sempre.

Eu e a moda nunca nos demos muito bem. se quem me conhece assume claramente a falta de gosto que se respira, eu que tenho visão privilegiada sobre o quadro assumo apenas desfasamento temporal e gostos.

Falar de moda é mais ou menos como falar de musica, cada um tem o seu estilo variando do clássico ao heavy.

Tropecei na moda, por mero acaso em 1976 com uns tenros 75 meses de idade. era um belo rapaz a caminho do seu primeiro dia de escola.

A moda só é importante porque o nosso clima não nos permite andar nus. é a minha opinião.
Impecavelmente preparado pela mãe, sentia-me sufocado pela moda, as calças até não estavam mal, mas a camisinha dentro das calças e o pullover em bico com risquinhas azuis, vermelhas e brancas era demais.

Mas não, o menino tinha de ir perfeito. O caldo entornou-se nos sapatos.

Os sapatos foram a gota de água numa moda que não era a minha.

Sem me aperceber tinha entrado em guerra com a moda: esta seria camisa para fora das calças, pullover nem vê-lo ou pelas costas e ténis!!!

Fiquei de ténis, perdi em tudo o resto.

Um sábio afirmou que nenhum teimoso teima sozinho e eu que considero ter uma forte personalidade, encarei esta primeira batalha como a primeira de muitas numa guerra que tinha de ser travada pois a moda a isso obrigava.

Durante a década seguinte a guerra seguiu o seu percurso normal, com batalhas diárias ou quase, até á vitória final.

A vitória final só aconteceu em 1986, passando a moda a viver em liberdade, uma dúzia de anos depois do país.

Com a liberdade normalmente chegam os excessos, contra todas as expectativas a minha moda não mudou muito.

Os ténis passaram a ser o único calçado permitido, calças só de ganga, t-shirt ou camisa para fora das calças, acabando tudo com num penteado de cabelo comprido ou apanhado em rabo de cavalo.

A minha moda trazia variantes, mas a essência, a alma era única. As variações compostas por t-shirt de manga comprida por baixo de outra de manga curta ou t-shirt manga curta ou comprida com camisa desabotoada a servir de casaco. esta tinha efeito devastador nos meus pais.

“Filho pareces um maltrapilha”, afirmava a minha mãe desgostosa.

Sentia-me confortável com a indumentária e confiante do meu bom gosto, independentemente dos comentários dos meus progenitores.

Para entendermos uma época, qualquer época - temos de olhar para o seu rei e eu, recentemente coroado, tinha como objectivo ser um rei justo.

Uma casa com 3 galfarros onde os pais passam o dia no trabalho não é facilmente governável e o novo rei foi forçado a criar regras.

As regras são muito importantes pois estruturam a vida, tornando-a mais simples.

Possivelmente influenciado pelo campismo, foram criadas 3regras, a saber:

1º - Tudo o que o Rei diz é lei.
2º - Todos são livre de fazer o que quiserem desde que respeitem o rei ou a sua vontade.
3º - Não existem mais regras.

As famosas 3 regras serviam para tudo e num reinado de década e meia foram apenas observadas 2 grandes falhas, na comida e na moda.

Na comida era tudo simples, chega para todos mas o Rei é o primeiro a servir-se, depois do Rei se servir convenientemente, servem-se os Príncipes hierarquicamente.

A moda foi mais complicado…

O ARMÁRIO

O armário era o local onde a moda era armazenada, sendo dividido em 2 zonas distintas, a zona do rei e a outra zona.

O rei, tentando ser um rei justo oferecia a sua roupa aos príncipes, mas nenhum a aceitava, coincidindo a sua opinião com a da Rainha/mãe, resumindo, toda a discussão se centrava na outra zona do armário.

O Rei/pai não se metia em coisas de moda e influenciado pelo Rei este tipo de assuntos funcionava o deixa andar, intervindo apenas quando o barulho se tornava incomodativo.

O Rei calmamente voltou a explicar as regras aos príncipes pedindo que se entendessem, nada feito, a moda tinha causado nova guerra.

O Príncipe, segundo na ascensão ao trono, trabalhava arduamente nos meses de verão para puder comprar a roupa que bem entendia, sendo a sua moda muito apreciada pelo príncipezinho.

O Rei não era capaz de vestir nada daquilo, nem que lhe pagassem, já o Príncipezinho, ao abrir o armário, olhava cuidadosamente para tudo o que existia do centro para o lado direito, com um sorriso rasgado.

Dedilhando a roupa, com um ligeiro toque de piano ia decidindo a indumentária adequada.
A rédea solta, até chegar ao bebedouro deu raia!

- Mãe, onde está a minha camisa XPTO?

- Está para lavar!

- Mas eu não a vesti! MAAAAAAARCIO, ANDA CÁ!!! E estava o caldo entornado…

Estás proibido de vestir a minha Roupa, diz o Príncipe.

O Príncipezinho tinha um problema grave para resolver, se por um lado ninguém lhe tocava na presença do Rei, por outro o Rei não passavas as 24 horas do dia no palácio…

A escolha era difícil e o Príncipezinho sentia-se dividido, olhando novamente para o armário, encheu-se de coragem e confrontou o Rei!

 - Filipe, posso vestir a roupa do gajo?
- Podes, podes vestir a dele e a minha.
- DASSSSSSS, a tua é feia como o Caraças.
- Vais arranjar merda, sabes que o Carlos com a roupinha não é para brincadeiras.
- Tu, proteges-me e ele não me bate.
- Quando eu cá estiver estás à vontade…
- Eu prometo ter cuidado, não sujo e assim não vai para lavar.

O Rei concordou, a inocência na sua forma mais pura é desconcertante, conhecendo ambos as chances do  Príncipezinho sair impune eram idênticas às de um bombardeiro Russo com bombas ar/terra contra um caça Turco com misseis ar/ar.

Estás encavado afirmei, passando o braço por cima do  Príncipezinho em sinal de apoio.

Com a cabeça a fervilhar o  Príncipezinho desenhou um plano.

Os nossos pais tinham uma loja de pequeno comercio que ficava estrategicamente colocada entre o palácio e a escola, bastava ter lá uma muda de roupa e tudo estava bem…

Em plano ganhador não se mexe, diz o  Príncipezinho ao Rei esfregando as mãos de contentamento.

O outro Príncipe sentia que estava a ser enganado a cada dia que passava, mas sempre que encontrava o Principezinho este não estava a quebrar o suposto acordo, vestindo a sua roupa.

O Príncipe mais velho, tem defeitos como todos nós, mas parvo não é um deles.

A conversa quando rondava o assunto dava risota geral no palácio e isso era insuportável.

Sob a minha alçada o Príncipe cresceu forte e robusto, pensar rápido é obrigatório, se fores lento és entalado, isto não são regras é mera constatação de factos vários, ponto.

Não provo por esse lado vou cheirar a roupa! Em paço de lince chega ao quarto, abrindo o armário com cara de poucos amigos afirmou:

 - Vamos lá tirar a prova dos 9, se alguma coisa cheirar a suor levas…

MAAAAAAAARCIO, VAIS LEVAR UMA TAREIA!!!

O Rei que não gostava de circo, tinha aqui uma fonte de divertimento gratuita e inesgotável.

Mantendo as regras o Rei impedia o Príncipe de malhar no Príncipezinho, adoptava uma atitude neutral quando o mais novo, pianava o centro-direita do armário.

Foram 3 camisas, diz o Príncipe quase em desespero, CABRÃO quando eu te apanhar.

 - Filipe bate tu ao gajo pá, para ele não vestir a minha roupa, pedia o Príncipe com ar de injustiçado.

Não posso, o Rei não bate, só bate quando é estritamente necessário, já me estás a chatear… e a vida continuava.

A variável e a constante era como eu na altura via a coisa.

A variável era engraçada pois de cada vez que o Principezinho era apanhado tornava-se mais esperto, não repetindo os mesmos erros.

A constante era a idade do Príncipezinho, sendo meia dúzia de anos mais novo era presa fácil, para um Príncipe que cresceu com a “educação” proporcionada pelo Rei.

Os dados estavam lançados e o Principezinho tinha um plano, com o cérebro a pulular, olhou para o Rei de sorriso rasgado e olhos esbugalhados, as sobranceiras esticadas e puxadas para cima não enganavam ninguém, já existia solução para o problema.

Fantástico! Isto é fantástico, basta por perfume e resulta! Deixa de cheirar a suor.

E assim nasceu mais uma estratégia, com o destino traçado, cada cavadela cada minhoca.

O Rei sentia-se confortável com as regras e com a postura de neutralidade adoptada, com o tempo os Príncipes vão se entender.

Estas regras básicas foram quebradas uma única vez, com o “meu” belo casaco branco, o Rei faz as regras, as regras são para ser cumpridas, mas sempre que o Rei entender que existe uma excepção a considerar essa excepção passa a lei por ordem do REI!


O “MEU” LINDO CASACO BRANCO


O “meu” lindo casaco branco chegou ao palácio dia de natal, era branco sujo que poderia funcionar perfeitamente todo desabotoado com uma t-shirt qualquer, oferecido pela namorada do príncipe o casaco foi completamente desconsiderado e arrumado a contragosto no lado errado do armário.

O Rei que presava a ordem no seu palácio no dia seguinte apreçou-se a reordenar o armário vestindo o lindo casaco.

Rosnar para aqui, rosnar para ali o casaco passou a ser posse do Rei, durou quase 20 anos.
Em 2012 já casado e reinando noutro palácio aplanando o terreno pergunto, amor viste aquele casaco, branco de bombazine muita giro?

 - Isso? Foi fora o ano passado, estava velho, todo russo, debotado e com as golas a romper…

 - Então e não disseste nada?

 - Disse nos 3 anos anteriores e o casaco foi ficando…

As mulheres da vida do rei são todas cruéis e não entendem nada de moda.

Tu, Princesa do meu Principezinho tens uns sapatos bastante feios, procurei com carinho  e afinco utilizando o link que me deste descubrir outros da mesma marca ainda mais feios.

Encontrei!




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