quarta-feira, 9 de março de 2016

Tudo e um par de botas por quase nada

Ou retalho de um retrato da sociedade


A meio da manhã de um dia não propicio a atividades vãs, acordou – nos então chegados quarentas is. Crescera a bom ritmo e a sua formação académica fora feita atempadamente.
Depois do 1º – foram 10 ou 15 anos de dia a dia profissional?
Terá isso trazido algum know-how concreto e visível àquela pessoa no que toca à capacidade de produzir? Pois parecia aceitável pensar que sim.

As linhas no jornal do dia e as propostas no email, evidenciavam um mundo desavergonhado em que se pagava para ter acesso a uma oportunidade para chegar uma entrevista de uma empresa sem vagas ou tinha de se saber línguas, contabilidade, regras de etiqueta, estenografia feita com um pau na boca para um ordenado mínimo e passe… Não, esse não era o seu mundo, mas havia alguém - alguéns - a alimentar esse monstro vestido de fato pois chegado o dia em que as soluções não existem, a urgência leva ao sim.
No meio dessa manhã, no conforto da manta e bebericando um chá quente enquanto fazia bolas de fumo ancestrais, questionou.

Direitos adquiridos?

Trabalhar 10 a 12 horas por dia (porque lhes pedem ou simplesmente por que são necessárias à execução da coisa. Como dizia o outro é só fazer as contas para chegar às horas de trabalho semanais)

Não gosta de determinada alteração, aguenta. (Não têm direito à greve. Apesar de poderem fazer uns cartazes e marchar!)

A idade – por si só não aumenta o salário. (Antiguidade é um posto, mas não é em todo o lado!)

Mais um golo e o reconforto chega com o pensamento de outro direito adquirido:
Obrigado, não. Não faço tudo e um par de botas, por quase nada!

Porque, convenhamos que num relacionamento (até profissional) são necessários dois, uma conquista, uma entrega, um sentimento reciproco de que vale a pena. Aí chegados, talvez o céu seja o limite.

SX. 


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