sábado, 19 de novembro de 2016

A Inês tem um chapéu!



Ser pai, não é tarefa fácil…

Estávamos num final de dia, igual a tantos outros.

Chegada a altura de ir buscar a Inês à cresce, o papá tinha uma decisão a tomar, todas as decisões acarretam as respectivas consequências e esta não era excepção.

Deveria ir a pé, ou de carro? Ponderação para cá, ponderação para lá, olhando para a bifurcação, a decisão estava tomada!

Vou a pé!

A escola fica a ± 800m de casa e retirar o carro, bem estacionado, no centro de Lisboa, às 6.00H da tarde não é tarefa fácil.

Até porque, passados 10 minutos, essa decisão traz consigo novos problemas, encontrar novo lugar para estacionar o automóvel.

Depois de grande ponderação, foi tomada a decisão.

Vou a pé!

Não chovia, nem fazia sol, o tempo estava indefinido.

No caminho para a cresce, olhando para as nuvens, sentia-me confortável com a decisão tomada.

Hoje, não vai chover!

Menos um problema.

Cheguei à escola, cumprimentei os meninos e educadoras, recolhendo o meu tesouro.
Despir a bata, vestir o casaco e já está!

Vamos para casa.

 - Pai, pai, posso levar o chapéu?

 - Para quê? Não está a chover…

  - Não faz mal, pai, amanhã trago outra vez.

Ao sair da cresce, reparo que o tempo sofreu uma ligeira modificação.
Passaram a cair umas pingas…

Reparei, nos breves segundos que passaram, que a chuva veio para ficar.
Decisões, decisões…

 - Inês, abre o chapéu e vamos embora!

Caminhamos alegremente, durante 70m a 80m, até encontrar refugio no prédio mais próximo.
Numa questão de minutos, o que era uma chuva miudinha, passou a descarga de água.

Como dizia a minha mãe ou avó, “chovia que DEUS a dava!”.

Mais um problema.

Uma pausa, antes de nova tomada de decisão, nunca foi para mim um problema, desta vez, a desculpa foi um cigarro.

Fumo um cigarrinho, e a chuva vai acalmar certamente.

Fumando para cá, fumando para lá, a constatação era óbvia…

 - Estou encavado, isto não vai parar, cada vez chove mais!

Soluções?

 - Bem, tenho um chapéu para criança e duas pessoas para transportar, kispos? Não há…
Esperar não é opção…

Enquanto fumava, aproveitei para dar uma volta na máquina do tempo, coisa a que recorro hebdomadariamente, quando tenho um problema, olhar para o passado, para aprender com erros cometidos.

São maneiras de ser, ou de estar, cada um tem as suas.

Aterrei em 1976, no caminho que fazia para a escola primária, a maior alegria que existia para um miúdo de 6 anos era experimentar as galochas novas!

Sim, na altura estava na moda, as galochas de borracha, que permitiam aos meninos passar pelas poças e manter os pés secos.

Todos os meninos que tiveram essa experiência sabem que o divertido é passar com as galochas pelas poças, chapinhando o mais possível!

Não existe melhor maneira de saber se o calçado é, ou não, à prova de água.

Voltando a 2016, entendi que a solução passava por transformar o problema, numa simples brincadeira de crianças.

Percorrer 800m a brincar na chuva era a única solução, telemóvel, para variar, não estava comigo, sendo impossível pedir ajuda…

Como ferramentas de apoio tinha um chapéu com 40cm de diâmetro…

A solução foi por a Inês às cavalitas do pai e o chapéu, que cobria a Inês, teria de tapar o papá o melhor possível.

Com o início da caminhada reparei que o barulho da chuva intensa estava a encolher a menina, não estava a ser uma viagem agradável.


  - Inês, vamos cantar uma musica?
 - Qual papá?

 - Sei lá, uma nova, tipo isto:

   A Inês tem um chapéu,
  Um chapéu muito lindo,
  Que tapa a Inês,
  E tapa o papá…

No percurso até casa, o sorriso da menina, depois de acabar o verso, abafava por completo o barulho da chuva.

Qualquer canção, cantada em sintonia é para os meninos um prazer.

Pena é, que não chova mais vezes, à saída da escola, para que a brincadeira se repita!

Palavra de Inês!


PS – Post dedicado aos novos papás e mamãs de Fevereiro de 2017!



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