quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Greve nos Transportes



Eis a primeira de muitas greves nos transportes de 2012.
Felizmente para quem trabalha a greve na C.P e Carris não tem adesão significativa o que facilita quem quer e tem de trabalhar para ganhar a vida.

Mais uma vez temos piquetes de greve, nomeadamente no Metro de Lisboa o que só prova que a democracia é algo que não é entendido por todos os portugueses. Quando se afirma que fazer greve é um direito (Concordo) deveria igualmente ser referido que trabalhar é igualmente um direito e a tua liberdade termina onde começa a minha! A liberdade de qualquer trabalhador termina quando um determinado piquete de greve impede outros trabalhadores de poderem efectivamente trabalhar.
O novo secretário-geral da CGTP tem hoje o seu primeiro dia de greve nos transportes, justo ao piquete de grevistas do metropolitano lançou uma pérola que ainda não consegui digerir.

Afirma esta alminha que os trabalhadores do Metro, da Carris, da STCP, da CP, estão em greve pois querem ” melhores serviços públicos e a preços mais sociais para os utentes".
Será que entendi correctamente?

Os trabalhadores estão em greve a pensar nos cidadãos que foram confrontados com aumentos nos transportes?
Segundo Arménio Carlos os trabalhadores dos transportes estão em greve para defender os meus direitos…
Inacreditável! A pouca vergonha não conhece limites! 

11 comentários:

Jose disse...

Boas João Filipe, estou só a escrever para te dizer que hoje estive no piquete de greve, e ao contrário do que dizes, todos têm direito a escolher. Tanto assim é que 3 maquinistas foram trabalhar, e ninguém os proibiu, ou tentou sequer, de entrar ao serviço. Nós estávamos lá principalmente, para cumprir com o que nos é devido, manter a segurança das instalações.
Quanto ao resto do teu post... não vou comentar, pois cada um tem direito à sua opinião.

Abraço

José Calheiros Pereira

Portugal Bipolar disse...

Boas José,
A ideia que eu tenho de piquete de greve é exactamente o oposto os trabalhadores em greve não deixam outros trabalhadores da mesma empresa exercer o seu direito ao trabalho.
Nada posso dizer sobre o piquete de greve onde de que fizeste parte pois nem sei qual era a empresa e como dizes tu estavas lá e eu também não...
Só não entendo a razão do piquete de greve do qual fizeste parte…se não é para impedir outros de trabalhar…proteger as instalações?
De quem?
Se quem está em greve está de piquete a proteger as instalações quem as iria atacar?
Os outros trabalhadores que queriam trabalhar?
A população em geral?
A polícia?
Essa da protecção das instalações não entendi, se te for possível explicar com mais detalhe seria um óptimo contributo para este espaço.
Um abraço e obrigado pelo comentário

Jose disse...

Filipe, a empresa é o metro. A ideia do piquete de greve, para além da protecção de instalações e material, são condições impostas pelos tribunais para os quais a empresa tem recorrido sempre, de modo a tentar ter serviços mínimos (sempre ganho pelos sindicatos com os custos financeiros para ambas as partes daí adjacentes), ou seja essa protecção de instalações e material é uma espécie de serviços mínimos (óbvio que é muito diferente do transporte de passageiros). Os trabalhadores que querem trabalhar têm todo o direito a fazê-lo, não são impedidos, são simplesmente esclarecidos, e escolhem o que preferem. Isso de forçar as pessoas, pelo menos na empresa onde trabalho, a não trabalhar não existe. Pode ser que sejamos afinal civilizados, e não a cambada de brutamontes e arruaceiros, titulo com que diariamente a população nos pinta. Como te disse antes, pelo menos comigo, 3 trabalhadores entraram ao serviço, assim como alguns mais nos escritórios, onde também haviam piquetes.
Para ficares a saber quem eu sou... ainda não me esqueci do almoço que combinamos marcar com as pessoas da nossa infância.

Abraço

Portugal Bipolar disse...

Boas José,

Obrigado pelo esclarecimento, não tinha conhecimento que os piquetes de greve visavam a protecção das instalações e material medidas essas impostas por tribunais.
Só argumento quando tenho conhecimento de causa, não é o caso.
Na última greve, vi na TV pessoas que pertenciam ao piquete de greve da Carris estacionadas no portão de saída dos autocarros tentando impedir que quem queria fosse trabalhar, deve ser daí que fiquei com essa ideia, isso vi eu, não me foi contado, mas tenho de reconhecer que estava longe de imaginar que os piquetes de greve tinham origem em decisões judiciais...
Como afirmei anteriormente não posso argumentar pois não tenho nenhum conhecimento sobre o assunto e só falo do que sei.

Jose disse...

Atenção, o piquete de greve não é uma imposição de tribunal algum, mas aproveita-se a presença desse piquete para cumprir essas obrigações (necessidades)!
Eu também vi isso, mas felizmente tal como nem toda a gente é igual, também postura dos sindicatos é diferente de empresa para empresa, garanto-te que se assim não fosse, não havia greves no metro só de 2 em 2 meses...!

Já agora, envio-te um pequeno mimo para a caixa de mensagens do facebook

Abraço

Portugal Bipolar disse...

Boas José,

Obrigado pelo "mimo" não tinha conhecimento e será certamente útil no futuro.
Sabes que aquilo são previsões sobre...O decorrer do ano vai mostrar se as previsões são ou não realistas.
PS - Eu tenho a mania de desconfiar :):):):)
Mais um dos muitos defeitos que tenho...

Anónimo disse...

Um piquete de greve é um grupo de intimidação. Percebo a generosa interpretação do José no contexto político em que, suspeito, se insere, mas a realidade, aliás abrigada na legislação, dá aos trabalhadores possibilidade de realizarem previamente todas as reuniões que desejarem para o efeito a que alude. Mais: dá generosissímos privilégios aos sindicalistas - que passam pelas ausências justificadas e remuneradas ao trabalho - para fazerem todas as sessões de esclarecimento que desejarem. Creio que nenhum de nós vá agora escrever que os trabalhadores só querem saber e ser informados das razões da greve, no próprio dia em que ela se realiza... Acresce que as greves são obrigatoriamente convocadas com um prazo mínimo de antecedência. Em segundo lugar deve ser referido que o serviço de segurança existe 24 horas por dia 365 dias por ano, e no caso das empresas de transporte suspeito que até deve estar em outsourcing, por que razão se deve "duplicar" a segurança? Ou é segurança ou não é segurança. Se for precisa mais a empresa de outsourcing que a faça. Pior se a segurança é insuficiente o piquete de greve mantenha-se por lá os restantes 364 dias do ano...
Por último, e para que não fique a suspeita que não sou um potencial apoiante de greves, entendo que estas greves pecam por tardias. Elas deviam ter sido realizadas quando estas empresas começaram a admitir, à custa do cunhedo e compadrio, mais gente do que a que fazia lá falta, o que acabou por colocar em causa o trabalho de quem lá estava e fazia falta, e o desperdício do dinheiro dos contribuintes...
am

Portugal Bipolar disse...

Juntando a isso as guerra facticidas entre empresas como a Carris e o Metro de Lisboa pelos mesmos passageiros durante décadas pagas pelo Zé contribuinte e encontra-mos mais uma das razões por para todo este descalabro

A. Peres - A.Utiger disse...

Arménio Carlos - "(...) o que nós estamos aqui a fazer, não é só uma luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, é pelo direito do serviço público e uma melhoria dessa qualidade de serviço a prestar aos utentes sempre numa lógica de solidariedade contra estes aumentos brutais dos preços (que não fazem sentido nenhum), a não ser, a não ser, numa linha de aumento da exploração que neste momento está a ser desenvolvida face à política de desastre que está, digamos, a ser percorrida por este governo."
Este é o trecho retirado na integra (mesmo a parte do "a não ser, a não ser").

Esta é a tua citação - "Afirma esta alminha que os trabalhadores do Metro, da Carris, da STCP, da CP, estão em greve pois querem ” melhores serviços públicos e a preços mais sociais para os utentes".
Será que entendi correctamente?

Os trabalhadores estão em greve a pensar nos cidadãos que foram confrontados com aumentos nos transportes?
Segundo Arménio Carlos os trabalhadores dos transportes estão em greve para defender os meus direitos…"

Pelos vistos meu caro respondo somente à tua pergunta.

- Não, entendeste erradamente.

Lê esta parte que passou na imprensa falada e visual,e, sabendo da maneira de como escreves (reconhecendo eu que és uma pessoa fluente, que pesquisa e perfeitamente entendível no seu discurso)és prejudicada pela ânsia da informação, lamentalvelmente influenciada por um condicionalismo formatado por quem promove esta indignação, mas num sentido contrário. É pena.
Não vou destrinçar o conteúdo da citação do Arménio Carlos, porque acredito que sabes o que iria dizer. Lê bem.
Já fiz este reparo num "post" que adicionei no teu blogue. E mais uma vez é perfeitamente visível na tua citação quando comparada com a mencionada pelo Arménio Carlos.
Se servir-te como uma crítica construtiva e a aceitares, digo-te uma das minhas máximas da vida que refere o seguinte: " Quando desconhecemos a complexidade de uma profissão, dado que não estamos presentes nela, em vez de afirmar, comento."
Neste pressuposto, acredita que a verdade de quem opina em relação ao que escreves, não vai no sentido do confronto,mas sim da complementariedade da verdade do teu comentário.

Como remate final, reafirmo que opinas grandes verdades que por vezes pecam por estarem descontextualizadas na relação entre a pesquisa que efectuas e a ira social generalizada nas pessoas da maneira de como a assimilam por desconhecimento de causa. Se conseguires entender o que quero dizer, em vez da tua profissão passar pela construção civil, deveria passar pelo jornalismo de investigação.
Não estou a brincar é mesmo isso o que penso.

Abraços e boas mensagens.

A. Peres - A.Utiger disse...

Uma outra questão que te levantou duvidas.
Sobre a definição do direito à greve e a sua legislação, vê neste sítio http://dre.pt/pdf1s/2009/02/03000/0092601029.pdf, no seu artigo 530º e seguintes.

A outra confusão que é referida na tua mensagem tem a haver com a falta de entendimento sobre a definição dos serviços mínimos apresentados entre a entidade representativa dos trabalhadores e a entidade patronal. Neste caso as posições baixam ao Conselho Arbitral do Estado no qual e perante os representantes das partes definem os serviços mínimos.
Não consigo entender donde parte a questão levantada sobre a intervenção do piquete de greve na segurança e protecção das instalações e material. Nunca observei tal na leitura da lei ou comportamento dos piquetes de greves aquando a execução de uma greve.
No caso da Carris sabes porque é que o piquete se colocou à frente dos autocarros?
Porque lhes estava a ser sonegado e vedado por parte das chefias e por parte das forças policiais deslocadas para esse serviço, o cumprimento e execução da lei, e da maneira em que poderiam ser abordados os motoristas que pretendiam não fazer greve. No momento e por falta de outra posição que faça prevalecer esse mesmo conteúdo previsto na lei, é a forma mais indicada de demonstrar o erro de intrepetação pelas pessoas que mencionei em não respeitar essa mesma lei. Eles tiveram acesso à mesma porque as pessoas que fazem parte do piquete exibiam em papel retirado do sítio governamental o conteúdo desse pressuposto da lei. Ou seja, eles trataram esse piquete como arruaceiros e sem fundamento legal, dado que desconheciam a lei.
Posso-te dizer que nesta greve de 2 de Fevereiro os piquetes funcionaram sem restrições e quem optou por trabalhar foi, e nem houve de ambas as partes qualquer conflito.

Abraços

Portugal Bipolar disse...

Obrigado pela tua contribuição para o debate neste espaço e pelas criticas que fazes.
Quando as criticas são construtivas o debate sai reforçado.
Não sou dono da razão, penso pela minha cabeça e dou a minha opinião sobre o que vejo e o que sinto.
Poderia ser politicamente mais correcto na maneira de expor as minhas ideias? Claro que sim!
Isso só revela que tenho defeitos como qualquer mortal...
nobody is perfect, but then again, who want's to be a nobody? :):):):)