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sábado, 27 de maio de 2017

Desabafos de uma formiga.




Desígnios do mundo definitivamente não civilizado.

Andamos atordoados neste sentimento que antecipa a catástrofe.

Registam-se a ritmo acelerado, debaixo dos nossos olhos, ouvidos e dedos, uma sucessão de eventos trágicos, outros caricatos, assustadores.

Visões e (re)ações protagonizadas por loucos, extremistas, políticos mundiais, presidentes, reis, lideres espirituais procurando o domínio desta nossa esfera azul, ansiando as suas negras riquezas podres. Eunucos ávidos de virilidade! Espertos.

Diz-se que não há 1 sem 2. Nem 2 sem 3. Não consigo evitar pensar que “it’s on its way”. E se não for pela guerra, temos ainda o clima ou a fragilidade de economias e de povos.

Vitória, vitória. E acaba-se a história!

25/05/0217
SX


sexta-feira, 26 de maio de 2017

O nosso mundo. E o dos outros.



O nosso mundo. E o dos outros.

Imaginei-me (nos) como minimeus em bolas de sabão esvoaçantes sobre o planeta azul.

A minha bolha é confortável, arejada e luminosa na maioria dos dias, quase como intuo a minha vida antes de ser – e que já o era – dentro da barriga da minha mãe.

No meu mundo, sigo o caminho dos ventos que são os meus, e agreguei uma série de outros mundos que me acompanham e viajam no mesmo sopro.

A família “grande” pais, irmãos, sogros, cunhados, sobrinhos; a família “pequena” marido e filhos; e outras bolas mais: amigos, colegas, conhecidos, vizinhos, estranhos…

Todos rodopiamos e seguimos.
Juntos e separados.

Intersecção de esferas

… e splash! É o que vem. Há de tudo, para todos os gostos, idades, momentos da vida.

Bolhas cheias de alegrias. Bolhas energéticas. Tristes. Doentes. Cheias de sonhos. Todos vividos. Bolhas de líquido amniótico novo. Outras em pré-eclipse.

Precisam de silêncio. Outras de riso.

E como? Como se conciliam os minimeus meio atordoados pelo turbilhão dos ventos no carrocel dos céus!

Sem respostas absolutas nem negações prévias.

“Go with the flow” dirão uns, cidadãos do mundo.
Pois sim!

Move-te para o que te encanta. Reforça-te a cada oportunidade.

É necessário cuidar de dentro para fora para a bolha não rebentar.

25/05/2017

SX

sábado, 19 de novembro de 2016

A Inês tem um chapéu!



Ser pai, não é tarefa fácil…

Estávamos num final de dia, igual a tantos outros.

Chegada a altura de ir buscar a Inês à cresce, o papá tinha uma decisão a tomar, todas as decisões acarretam as respectivas consequências e esta não era excepção.

Deveria ir a pé, ou de carro? Ponderação para cá, ponderação para lá, olhando para a bifurcação, a decisão estava tomada!

Vou a pé!

A escola fica a ± 800m de casa e retirar o carro, bem estacionado, no centro de Lisboa, às 6.00H da tarde não é tarefa fácil.

Até porque, passados 10 minutos, essa decisão traz consigo novos problemas, encontrar novo lugar para estacionar o automóvel.

Depois de grande ponderação, foi tomada a decisão.

Vou a pé!

Não chovia, nem fazia sol, o tempo estava indefinido.

No caminho para a cresce, olhando para as nuvens, sentia-me confortável com a decisão tomada.

Hoje, não vai chover!

Menos um problema.

Cheguei à escola, cumprimentei os meninos e educadoras, recolhendo o meu tesouro.
Despir a bata, vestir o casaco e já está!

Vamos para casa.

 - Pai, pai, posso levar o chapéu?

 - Para quê? Não está a chover…

  - Não faz mal, pai, amanhã trago outra vez.

Ao sair da cresce, reparo que o tempo sofreu uma ligeira modificação.
Passaram a cair umas pingas…

Reparei, nos breves segundos que passaram, que a chuva veio para ficar.
Decisões, decisões…

 - Inês, abre o chapéu e vamos embora!

Caminhamos alegremente, durante 70m a 80m, até encontrar refugio no prédio mais próximo.
Numa questão de minutos, o que era uma chuva miudinha, passou a descarga de água.

Como dizia a minha mãe ou avó, “chovia que DEUS a dava!”.

Mais um problema.

Uma pausa, antes de nova tomada de decisão, nunca foi para mim um problema, desta vez, a desculpa foi um cigarro.

Fumo um cigarrinho, e a chuva vai acalmar certamente.

Fumando para cá, fumando para lá, a constatação era óbvia…

 - Estou encavado, isto não vai parar, cada vez chove mais!

Soluções?

 - Bem, tenho um chapéu para criança e duas pessoas para transportar, kispos? Não há…
Esperar não é opção…

Enquanto fumava, aproveitei para dar uma volta na máquina do tempo, coisa a que recorro hebdomadariamente, quando tenho um problema, olhar para o passado, para aprender com erros cometidos.

São maneiras de ser, ou de estar, cada um tem as suas.

Aterrei em 1976, no caminho que fazia para a escola primária, a maior alegria que existia para um miúdo de 6 anos era experimentar as galochas novas!

Sim, na altura estava na moda, as galochas de borracha, que permitiam aos meninos passar pelas poças e manter os pés secos.

Todos os meninos que tiveram essa experiência sabem que o divertido é passar com as galochas pelas poças, chapinhando o mais possível!

Não existe melhor maneira de saber se o calçado é, ou não, à prova de água.

Voltando a 2016, entendi que a solução passava por transformar o problema, numa simples brincadeira de crianças.

Percorrer 800m a brincar na chuva era a única solução, telemóvel, para variar, não estava comigo, sendo impossível pedir ajuda…

Como ferramentas de apoio tinha um chapéu com 40cm de diâmetro…

A solução foi por a Inês às cavalitas do pai e o chapéu, que cobria a Inês, teria de tapar o papá o melhor possível.

Com o início da caminhada reparei que o barulho da chuva intensa estava a encolher a menina, não estava a ser uma viagem agradável.


  - Inês, vamos cantar uma musica?
 - Qual papá?

 - Sei lá, uma nova, tipo isto:

   A Inês tem um chapéu,
  Um chapéu muito lindo,
  Que tapa a Inês,
  E tapa o papá…

No percurso até casa, o sorriso da menina, depois de acabar o verso, abafava por completo o barulho da chuva.

Qualquer canção, cantada em sintonia é para os meninos um prazer.

Pena é, que não chova mais vezes, à saída da escola, para que a brincadeira se repita!

Palavra de Inês!


PS – Post dedicado aos novos papás e mamãs de Fevereiro de 2017!



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A WORTEN, seus Empregados e clientes e a Forte cultura matemática vigente em Portugal.






Na semana passada deparei-me com um problema para resolver. Nada de grave, o “tijolo” que utilizava para comunicações móveis explodiu a bateria.

Enquanto conduzia ouvi um “TAAAK” e um movimento no bolso, peguei no telemóvel reparando que a tampa traseira se tinha separado do resto.

Assim que cheguei ao destino, um olhar mais atento revela que a bateria tinha explodido, pois estava com o dobro da altura, impedindo o telemóvel de fechar.

Os problemas nunca acontecem nos dias bons, mas este teve o inconveniente de se avariar 2 horas antes de algo importante.

Esperava um telefonema que me permitiria ganhar algum dinheiro e sem telemóvel isso não iria acontecer.

Sai de URGÊNCIA a caminho da WORTEN.

Na WORTEN o pessoal estava em dia de formação, nada melhor que formar enquanto se trabalha, o Formador vai informando o Formando dos procedimentos habituais para cada tipo de negócio.

No país das tangas e das manigâncias a ultima moda da WORTEN são os seguros e as prestações.

Antes de adquirir o telemóvel passei os olhos pelos diversos modelos e respectivas condições de pagamento.

Podemos pagar a prestações? Olha, que engraçado… pagar em 3 vezes não tem juros, mas em 6 ou 12 vezes os juros são de 17.50%!

Mas alguém cai nisto? Pensava eu enquanto esperava na bicha para ser atendido…(Sim eu digo bicha, sempre o fiz e julgo que é para manter independentemente de existir uns quantos ofendidos).

 adiante!

As idades variavam entre os 18 anos e os 23 no máximo, idade atribuída a formadora que me atendeu, sendo por ventura a mais velha do grupo.

Antes de mim uma senhora que aparentava mais de 5 décadas bem vividas e um profundo conhecimento de cozinhados bem temperados e com molhos diversos a preceito.

Também vinha comprar 1 telemóvel! E até já sabia o que queria, quero aquele ali, dizia ela apontando para 1 dos muitos telemóveis daquela bancada.

A empregada / formadora prontamente se abeirou do telemóvel em questão, acompanhada pela formanda.

Faltava fazer a continha e ai o espanto foi total.

Em quantas prestações vai pagar? Temos 3; 6 ou 12, qual a modalidade que mais lhe convém?
Talvez de 12? Responde a cliente.

Rapidamente passamos para o seguro, estás a ver aqueles seguros, que não servem para nada, e que custam um balúrdio?

Aqueles que quando existe algum problema com o equipamento e o seguro é acionado existe sempre uma clausula que por má utilização ou descuido a seguradora recusa pagar qualquer verba? É esse mesmo que estamos a falar!

E custa 10%! DEZ POR CENTO? Está tudo doido?

Antes que a cliente possa responder as contas já estão feitas! Ocultando que o seguro custa +10% e ocultando que o pagamento em 12 prestações custa mais 17.50%, sai o valor mensal.
Se a Senhora aceitar fica a 72.6€/mês. Fica baratinho.

E o negócio avança, com a formanda a assimilar todo o processo.

Vai pagar em juros e seguros 197€, tendo gasto 674€ num telemóvel que nitidamente não lhe fazia falta. São as modernices e o pessoal fica bem é com aqueles grandes e fininhos. 

Exatamente o que fazer com ele fica para depois, está na moda.

Chegada a minha vez, informei que queria adquirir igualmente 1 telemóvel, com a advertência que queria o mais barato possível.

A formadora, franzindo o lábio superior informou-me que mais baratos só aqueles de teclas, está a ver quais são…

Fiz o meu melhor sorriso e informei a personagem que esses são “MUITA BONS!”.

Quando me perguntou se queria fazer seguro, nem lhe respondi, limitei-me a sorrir, era tudo o que ainda conseguia dar.

Sabe, somos obrigadas a perguntar, informou a formadora perante o meu silencio.

Estou a ver que sim! Faz parte das normas.

Quando ia efetuar o pagamento com multibanco, voltei a pasmar!

Na WORTEN por predefinição a opção dos cartões é o crédito! Para pagamento multibanco, temos de carregar no botão com a setinha para baixo, movendo a opção seleccionada para multibanco.

Não aquentei mais! Isto está lindo! Então por predefinição a opção dos cartões é o crédito?

Mas isto é assim? Prestações a 18% de juros, seguros que carregam com mais 10% e o cliente nem percebe nada e no fim, para sobremesa sai a credito por que é assim????

E cada vez será pior, informa a formadora com ar convicto.

Resta-me desejar-lhe uma boa tarde, informando que cada um escolhe o caminho que percorre, tenho pena que neste país a maioria escolha de olhos fechados.

Mas sobre isso nada posso fazer, resta aguardar que rebente! Com esta gente e esta maneira de pensar e decidir, não deve demorar muito!

Vai uma aposta? Eu arrisco 1 de maio de 2019! E tu?


Nota: Para os mais atentos falta responder a umas coisinhas.
1.      O meu telemóvel custou 30€, claro que não fiz seguro e paguei a pronto por MB.
2.      O telefonema recebido pagou de longe o tm adquirido.



Um grande bem-haja,


Jony(-h)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Casar, só por amor...



Acabadinha de ouvir...

Ela – Querido, casas-te comigo por Amor ou por interesse?


Ele – Deve ter sido por amor, porque interesse em ti não tenho nenhum!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Esmagado por um beijo! O 1º desgosto de um pai...



Hoje com a recolha da Inês do infantário tudo mudou.

Estava habituado a ser recebido com uma correria de braços abertos que acabava com um grande abraço e um beijinho.

Tudo decorria de acordo com o expectável até ao momento em que a Inês para a correria dá uma volta de 180º , dando um beijinho ao Francisco.

Eu muito espantado ainda pergunto:

- Então filha?!?!?!? O que é isto???

A resposta chegou com olhos e pálpebras bem abertos, PAI! O Francisco é o meu namorado!

- Ok, filha já entendi, tens 3 anos e estás enorme…

sexta-feira, 18 de março de 2016

Dia do PAI!


Sendo eu o melhor PAI do mundo e arredores, já preparei os certificados e tudo!

Amanhã basta imprimir e preencher...

Como disse um sábio:

   " o PAI perfeito não existe, mas existo eu, que é quase a mesma coisa!" (1) e (2).

quarta-feira, 9 de março de 2016

Tudo e um par de botas por quase nada

Ou retalho de um retrato da sociedade


A meio da manhã de um dia não propicio a atividades vãs, acordou – nos então chegados quarentas is. Crescera a bom ritmo e a sua formação académica fora feita atempadamente.
Depois do 1º – foram 10 ou 15 anos de dia a dia profissional?
Terá isso trazido algum know-how concreto e visível àquela pessoa no que toca à capacidade de produzir? Pois parecia aceitável pensar que sim.

As linhas no jornal do dia e as propostas no email, evidenciavam um mundo desavergonhado em que se pagava para ter acesso a uma oportunidade para chegar uma entrevista de uma empresa sem vagas ou tinha de se saber línguas, contabilidade, regras de etiqueta, estenografia feita com um pau na boca para um ordenado mínimo e passe… Não, esse não era o seu mundo, mas havia alguém - alguéns - a alimentar esse monstro vestido de fato pois chegado o dia em que as soluções não existem, a urgência leva ao sim.
No meio dessa manhã, no conforto da manta e bebericando um chá quente enquanto fazia bolas de fumo ancestrais, questionou.

Direitos adquiridos?

Trabalhar 10 a 12 horas por dia (porque lhes pedem ou simplesmente por que são necessárias à execução da coisa. Como dizia o outro é só fazer as contas para chegar às horas de trabalho semanais)

Não gosta de determinada alteração, aguenta. (Não têm direito à greve. Apesar de poderem fazer uns cartazes e marchar!)

A idade – por si só não aumenta o salário. (Antiguidade é um posto, mas não é em todo o lado!)
…

Mais um golo e o reconforto chega com o pensamento de outro direito adquirido:
Obrigado, não. Não faço tudo e um par de botas, por quase nada!

Porque, convenhamos que num relacionamento (até profissional) são necessários dois, uma conquista, uma entrega, um sentimento reciproco de que vale a pena. Aí chegados, talvez o céu seja o limite.

SX. 


terça-feira, 1 de março de 2016

Jony, o multimilionário escolhe um carro.

Ontem andava com manias de grandeza com vivendas e churrasqueiras com grandes bancadas e forno tradicional a lanha para fazer o belo cabrito assado no forno.

Hoje, visto que a maluqueira ainda não passou, voltei-me para os carros. Ando dividido entre ente a electricidade…








E este a Hidrogénio.




Alguém me ajuda? Estou dividido? Sim, eu fiquei rico e excêntrico mas ecológico!

Nota: ambos tem autonomias superiores a 400kms!

A vivenda está optima, só falta o churrasco!

Boa Noite Srª Arqª,

Hoje estou com insónias, acontece ocasionalmente, estava aqui a olhar para a vivenda e a imaginar...

Fantasiando pois dinheiro não é problema, olhei para o trabalho e não retirava nada.

Porem, para ser minha, falta o mais importante, sem isso não quero a vivenda para nada (nós os ricos somos assim).

O pormaior que falta neste trabalho, permitia-me convidar a família toda para jantar e fazer boa figura.

Depois dos 40 tenho notado algumas alterações (grandes) na minha maneira de ser e estar, é da idade, ou deve ser.

Uma dessas alterações é que passei a gostar de cozinhar, pode ser para os 4 cá de casa, pode ser para 12 como já foi nas férias.

Gosto de cozinhar no fogão, mas nada chega ao prazer de fazer um bom churrasco. Comida que passa pelas brasas tem outro sabor!

E eu, com esta bela vivenda iria chatear a arquitecta até ver o meu desejo concedido (nós os ricos somos assim).

Até já tinha imaginado o sitio e tudo, pode ser perto da piscina e à sombrinha! Para o menino não apanhar sol quando faz belas almoçaradas!

O problema é que depois não consigo parar!

Não quero só um churrasco! Não, quero um churrasco com bancada de apoio! E mais, que o sabor do churrasco é muito bom, mas nada se compara a um cabrito assado em forno a lanha! Isso é o sabor dos deuses! Quem nunca provou um cabritinho cozinhado num forno a lanha tradicional, nunca teve um orgasmo degostativo.

Então é assim, Srª Arqª.

Quero uma bancada grande, com ponto de água e esgoto!
Quero um churrasco!
E quero um forno tradicional, construído em tijolo de burro, com abertura superior para se encher de areia e depois tapar!


Mando uma fotografia do que pretendo, quero aquilo, mas quero maior! com ponto de água e esgoto! Pronto, agora vou-me deitar!


Espero que as minhas insónias, não te tenham feito perder muito tempo, as alterações podem chegar até ao final da semana!

comprimentos,

João Filipe Silva

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

SG Ventil, último sobrevivente, até quando?




A Philip Morris vai acabar os maços de SG FILTRO e SG GIGANTE.

A tabaqueira foi vendida e não foi ontem.

O assunto ronda sempre a mesma questão, não temos dinheiro.

Não temos dinheiro, mas gostamos de gastar. A solução é pedir emprestado ou vender património.

A tabaqueira foi vendida em 1997, já passaram quase 20 anos e quem comprou não está interessado na produção de marcas locais, são factos.

O importante é produzir o mesmo em todo o lado Marlboro; chesterfield e afins, acabar com as marcas locais, no final, aumenta o lucro.

Não podem fazer tudo de um dia para o outro mas passados 20 anos a Philip Morris já acabou com a maioria das marcas produzidas pela tabaqueira, agora chegou a vez do SG FILTRO e SG GIGANTE.

Sobra para já o SG VENTIL que luta como último sobrevivente sendo ainda o tabaco mais vendido em Portugal, falta a coragem...

Esperam mais 4 ou 5 anos e acabam com a palhaçada, é a vida, quem vende não manda. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Moda - Hoje, amanhã e sempre.

Eu e a moda nunca nos demos muito bem. se quem me conhece assume claramente a falta de gosto que se respira, eu que tenho visão privilegiada sobre o quadro assumo apenas desfasamento temporal e gostos.

Falar de moda é mais ou menos como falar de musica, cada um tem o seu estilo variando do clássico ao heavy.

Tropecei na moda, por mero acaso em 1976 com uns tenros 75 meses de idade. era um belo rapaz a caminho do seu primeiro dia de escola.

A moda só é importante porque o nosso clima não nos permite andar nus. é a minha opinião.
Impecavelmente preparado pela mãe, sentia-me sufocado pela moda, as calças até não estavam mal, mas a camisinha dentro das calças e o pullover em bico com risquinhas azuis, vermelhas e brancas era demais.

Mas não, o menino tinha de ir perfeito. O caldo entornou-se nos sapatos.

Os sapatos foram a gota de água numa moda que não era a minha.

Sem me aperceber tinha entrado em guerra com a moda: esta seria camisa para fora das calças, pullover nem vê-lo ou pelas costas e ténis!!!

Fiquei de ténis, perdi em tudo o resto.

Um sábio afirmou que nenhum teimoso teima sozinho e eu que considero ter uma forte personalidade, encarei esta primeira batalha como a primeira de muitas numa guerra que tinha de ser travada pois a moda a isso obrigava.

Durante a década seguinte a guerra seguiu o seu percurso normal, com batalhas diárias ou quase, até á vitória final.

A vitória final só aconteceu em 1986, passando a moda a viver em liberdade, uma dúzia de anos depois do país.

Com a liberdade normalmente chegam os excessos, contra todas as expectativas a minha moda não mudou muito.

Os ténis passaram a ser o único calçado permitido, calças só de ganga, t-shirt ou camisa para fora das calças, acabando tudo com num penteado de cabelo comprido ou apanhado em rabo de cavalo.

A minha moda trazia variantes, mas a essência, a alma era única. As variações compostas por t-shirt de manga comprida por baixo de outra de manga curta ou t-shirt manga curta ou comprida com camisa desabotoada a servir de casaco. esta tinha efeito devastador nos meus pais.

“Filho pareces um maltrapilha”, afirmava a minha mãe desgostosa.

Sentia-me confortável com a indumentária e confiante do meu bom gosto, independentemente dos comentários dos meus progenitores.

Para entendermos uma época, qualquer época - temos de olhar para o seu rei e eu, recentemente coroado, tinha como objectivo ser um rei justo.

Uma casa com 3 galfarros onde os pais passam o dia no trabalho não é facilmente governável e o novo rei foi forçado a criar regras.

As regras são muito importantes pois estruturam a vida, tornando-a mais simples.

Possivelmente influenciado pelo campismo, foram criadas 3regras, a saber:

1º - Tudo o que o Rei diz é lei.
2º - Todos são livre de fazer o que quiserem desde que respeitem o rei ou a sua vontade.
3º - Não existem mais regras.

As famosas 3 regras serviam para tudo e num reinado de década e meia foram apenas observadas 2 grandes falhas, na comida e na moda.

Na comida era tudo simples, chega para todos mas o Rei é o primeiro a servir-se, depois do Rei se servir convenientemente, servem-se os Príncipes hierarquicamente.

A moda foi mais complicado…

O ARMÁRIO

O armário era o local onde a moda era armazenada, sendo dividido em 2 zonas distintas, a zona do rei e a outra zona.

O rei, tentando ser um rei justo oferecia a sua roupa aos príncipes, mas nenhum a aceitava, coincidindo a sua opinião com a da Rainha/mãe, resumindo, toda a discussão se centrava na outra zona do armário.

O Rei/pai não se metia em coisas de moda e influenciado pelo Rei este tipo de assuntos funcionava o deixa andar, intervindo apenas quando o barulho se tornava incomodativo.

O Rei calmamente voltou a explicar as regras aos príncipes pedindo que se entendessem, nada feito, a moda tinha causado nova guerra.

O Príncipe, segundo na ascensão ao trono, trabalhava arduamente nos meses de verão para puder comprar a roupa que bem entendia, sendo a sua moda muito apreciada pelo príncipezinho.

O Rei não era capaz de vestir nada daquilo, nem que lhe pagassem, já o Príncipezinho, ao abrir o armário, olhava cuidadosamente para tudo o que existia do centro para o lado direito, com um sorriso rasgado.

Dedilhando a roupa, com um ligeiro toque de piano ia decidindo a indumentária adequada.
A rédea solta, até chegar ao bebedouro deu raia!

- Mãe, onde está a minha camisa XPTO?

- Está para lavar!

- Mas eu não a vesti! MAAAAAAARCIO, ANDA CÁ!!! E estava o caldo entornado…

Estás proibido de vestir a minha Roupa, diz o Príncipe.

O Príncipezinho tinha um problema grave para resolver, se por um lado ninguém lhe tocava na presença do Rei, por outro o Rei não passavas as 24 horas do dia no palácio…

A escolha era difícil e o Príncipezinho sentia-se dividido, olhando novamente para o armário, encheu-se de coragem e confrontou o Rei!

 - Filipe, posso vestir a roupa do gajo?
- Podes, podes vestir a dele e a minha.
- DASSSSSSS, a tua é feia como o Caraças.
- Vais arranjar merda, sabes que o Carlos com a roupinha não é para brincadeiras.
- Tu, proteges-me e ele não me bate.
- Quando eu cá estiver estás à vontade…
- Eu prometo ter cuidado, não sujo e assim não vai para lavar.

O Rei concordou, a inocência na sua forma mais pura é desconcertante, conhecendo ambos as chances do  Príncipezinho sair impune eram idênticas às de um bombardeiro Russo com bombas ar/terra contra um caça Turco com misseis ar/ar.

Estás encavado afirmei, passando o braço por cima do  Príncipezinho em sinal de apoio.

Com a cabeça a fervilhar o  Príncipezinho desenhou um plano.

Os nossos pais tinham uma loja de pequeno comercio que ficava estrategicamente colocada entre o palácio e a escola, bastava ter lá uma muda de roupa e tudo estava bem…

Em plano ganhador não se mexe, diz o  Príncipezinho ao Rei esfregando as mãos de contentamento.

O outro Príncipe sentia que estava a ser enganado a cada dia que passava, mas sempre que encontrava o Principezinho este não estava a quebrar o suposto acordo, vestindo a sua roupa.

O Príncipe mais velho, tem defeitos como todos nós, mas parvo não é um deles.

A conversa quando rondava o assunto dava risota geral no palácio e isso era insuportável.

Sob a minha alçada o Príncipe cresceu forte e robusto, pensar rápido é obrigatório, se fores lento és entalado, isto não são regras é mera constatação de factos vários, ponto.

Não provo por esse lado vou cheirar a roupa! Em paço de lince chega ao quarto, abrindo o armário com cara de poucos amigos afirmou:

 - Vamos lá tirar a prova dos 9, se alguma coisa cheirar a suor levas…

MAAAAAAAARCIO, VAIS LEVAR UMA TAREIA!!!

O Rei que não gostava de circo, tinha aqui uma fonte de divertimento gratuita e inesgotável.

Mantendo as regras o Rei impedia o Príncipe de malhar no Príncipezinho, adoptava uma atitude neutral quando o mais novo, pianava o centro-direita do armário.

Foram 3 camisas, diz o Príncipe quase em desespero, CABRÃO quando eu te apanhar.

 - Filipe bate tu ao gajo pá, para ele não vestir a minha roupa, pedia o Príncipe com ar de injustiçado.

Não posso, o Rei não bate, só bate quando é estritamente necessário, já me estás a chatear… e a vida continuava.

A variável e a constante era como eu na altura via a coisa.

A variável era engraçada pois de cada vez que o Principezinho era apanhado tornava-se mais esperto, não repetindo os mesmos erros.

A constante era a idade do Príncipezinho, sendo meia dúzia de anos mais novo era presa fácil, para um Príncipe que cresceu com a “educação” proporcionada pelo Rei.

Os dados estavam lançados e o Principezinho tinha um plano, com o cérebro a pulular, olhou para o Rei de sorriso rasgado e olhos esbugalhados, as sobranceiras esticadas e puxadas para cima não enganavam ninguém, já existia solução para o problema.

Fantástico! Isto é fantástico, basta por perfume e resulta! Deixa de cheirar a suor.

E assim nasceu mais uma estratégia, com o destino traçado, cada cavadela cada minhoca.

O Rei sentia-se confortável com as regras e com a postura de neutralidade adoptada, com o tempo os Príncipes vão se entender.

Estas regras básicas foram quebradas uma única vez, com o “meu” belo casaco branco, o Rei faz as regras, as regras são para ser cumpridas, mas sempre que o Rei entender que existe uma excepção a considerar essa excepção passa a lei por ordem do REI!


O “MEU” LINDO CASACO BRANCO


O “meu” lindo casaco branco chegou ao palácio dia de natal, era branco sujo que poderia funcionar perfeitamente todo desabotoado com uma t-shirt qualquer, oferecido pela namorada do príncipe o casaco foi completamente desconsiderado e arrumado a contragosto no lado errado do armário.

O Rei que presava a ordem no seu palácio no dia seguinte apreçou-se a reordenar o armário vestindo o lindo casaco.

Rosnar para aqui, rosnar para ali o casaco passou a ser posse do Rei, durou quase 20 anos.
Em 2012 já casado e reinando noutro palácio aplanando o terreno pergunto, amor viste aquele casaco, branco de bombazine muita giro?

 - Isso? Foi fora o ano passado, estava velho, todo russo, debotado e com as golas a romper…

 - Então e não disseste nada?

 - Disse nos 3 anos anteriores e o casaco foi ficando…

As mulheres da vida do rei são todas cruéis e não entendem nada de moda.

Tu, Princesa do meu Principezinho tens uns sapatos bastante feios, procurei com carinho  e afinco utilizando o link que me deste descubrir outros da mesma marca ainda mais feios.

Encontrei!