terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Desconcertação Social e os Direitos Adquiridos

Depois de 17 horas de árduo trabalho parece que finalmente chegaram a acordo.

Não foi o caso da CGTP, que nunca assinou acordo nenhum desde 1975, acaba por ser normal e coerente.

O acordo vai ser conhecido amanhã e será assinado pelo governo; CIP e UGT.
Os direitos adquiridos acabaram em 2008, mas estando Portugal em 2012, poucos já se aperceberam disso.

É que só existem direitos adquiridos quando existe algo para distribuir.
Esse algo é dinheiro que até 2008 era dinheiro dos outros que poupavam e emprestavam a quem não tinha, cobrando os respectivos juros.

O que se passa actualmente acaba por ser simples de explicar, como já não nos emprestam dinheiro pois não acreditam que o iremos pagar os nossos direitos adquiridos estão limitados ao que conseguirmos produzir.
Não entendo para que foram necessárias 17 horas de negociações, mas o que se sabe é que acabam 4 feriados, existem algumas mudanças no fundo de desemprego (faltam pormenores) e passou a existir um banco de 150 horas por trabalhador que a entidade patronal poderá aplicar de acordo com as necessidades da empresa (tipo formiga, trabalha mais de verão para poder trabalhar menos de inverno recebendo o mesmo) deixando assim cair a meia hora de trabalho extra diário.

Vamos assistir à assinatura com pompa e circunstancia mostrando ao mundo que conseguimos vencer e superar as adversidades!
Será?

Claro que não, nem de perto nem de longe!
Tudo isto teve início com a assinatura do memorando da TROIKA e com a baixa acentuada da TSU, que Passos Coelho em campanha tinha tudo estudado e era possível e depois passou a meia hora extra diária e agora passa por este acordo.

Basta pensar um pouco, mas depois de tudo bem exprimido e comparado com a baixa de 8% da TSU as medidas acordadas serão claramente insuficientes e surpresa das surpresas serão necessárias medidas adicionais, que não serão aceites pelos trabalhadores.
Entretanto a Grécia já está com uma perna fora do Euro e Portugal vai tomando aspirinas como se de uma simples dor de cabeça se tratasse… 

2 comentários:

  1. Boas Jony!
    Isto a mim vai afectar-me imenso.
    Eu sou trabalhador sazonal, só trabalho 7 meses por ano, e nesses 7 meses em termos de horas trabalhadas, trabalho o equivalente às pessoas que trabalham o ano inteiro.
    O meu rendimento conjugado com o da minha esposa não me permite receber qualquer subsídio estatal quando estou desempregado.
    Mas já estou a adivinhar que vou receber muito menos em horas extras, e recuperar essas horas na forma de descanso.
    Mas para que é que eu quero mais descanso, se normalmente já descanso 5 meses por ano, ...ainda se o descanso desse para pagar a conta do supermercado, o crédito, e outras.

    P.S.
    Talvez devesses reconsiderar a possibilidade de os comentários entrarem sem aprovação, nota-se pouca participação ultimamente.
    A posteriori poderás sempre apagar algum comentário que aches ofensivo, mas principalmente, é da discussão que sai a luz, só os dogmas não se discutem.

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    1. Boas Ramiro,

      Julgo que falas do banco de horas.
      Isso só se aplica a contractos anuais pois as 150 Horas são anuais, com um máximo de redução/aumento de 2 horas por dia.
      Resumindo podes trabalhar 6 horas/dia ou 10 horas/dia recebendo o mesmo no final do mes.
      Sobre as horas extra foi reduzido a compensação, como tal sofremos todos.
      Julgo que este acordo é importante mas quem mais vai beneficiar é a indústria que representa 15% a 17% em Portugal, estamos a falar de Autoeuropa; Salvador Caetano; Hotéis; Distribuição (Continente e Pingo Doce); Corticeira Amorim e pouco mais.
      95% Das empresas em Portugal são PME's e nessas os trabalhadores já trabalham horas extra e não são remunerados.
      Para mim a grande alteração é a possibilidade mais facilitada de despedimento individual e cortes no subsídio de desemprego.
      Pode realmente ter algum impacto mas a curto prazo vai causar despedimentos e vai ser alvo de alguns abusos como é normal no País, não vai certamente trazer empresas para Portugal, pois falta a reforma da Justiça melhor fiscalidade, electricidade mais barata e já que estou a pedir renegociação de todas as PPP's...

      Sobre os comentários posso informar em primeira mão que voltarão a entrar sem restrições este ano, mas para já não quero adiantar mais.

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;)